Ora bem, dado que o blogue tem andado meio em baixo de forma, e o verao ja la vai, vamos la tentar por isto a mexer.
Peco que, quem quer que leia este poste deixe um "ola" em comentario. So para termos ideia se realmente ainda por aqui andam os ditos portugueses no estrageiro e se realmente ha quem leia o que dizem (dizemos).
A ver se pelo menos assim conseguimos responder minimamente ao ultimato da Dasha (que pode ser que tenha algum sentido se o numero de "olas" for minimo, leia-se 1 ou 2).
Restringido que estou a dar opinioes politico-religioso-futebolisticas limito-me para ja a dizer que o gosto do sr. Silva, que o mes que vem 'e dedicado a sra. Maria e que o sr. Jose merece respeito e que 'e o maior.
Nada como 3 nomes bem portugueses. Subtil nao? ;)
Thursday, September 29, 2005
Friday, September 16, 2005
E a televisao?!

Há uns tempos nunca pensei dizer isto, mas agora tenho a certeza.
A televisao Portuguesa é óptima!
Embora haja novelas em excesso para a sanidade mental de uma criança em desenvolvimento, a nossa televisao tem montes de opçoes, canais de notícias, canais temáticos, debates, documentários, bons filmes...
Aqui, é um bocado mau, repetem as séries todas de sucesso até à exaustao. Sim, os episódios de Frasier, Simpsons, Spin City e Sex and the city, rodam até já termos visto o mesmo três vezes, mesmo que só liguemos a televisao de vez em quando.
E depois papam os reality shows americanos todos!! De todos os tipos... desde gordos a tentarem fazer dieta, a princesas a arranjarem um casamento falso para ganharem dinheiro, há de tudo!
Claro que eu perco os programas mais interessantes por nao perceber a lingua. Mas acho que nao há muitos...
Por isso vou-me ligar à SIC online, aqui fica o site para quem sente um aconchego de ouvir as notícias em Português.
Thursday, September 15, 2005
...
Bem, provavelmente não é o post que estarão à espera, mas tenho que ser honesto comigo mesmo e com as pessoas que contam com este Blog, autores e leitores.
O "efeito" internet, e sobretudo o conceito de Blog nunca encaixaram muito comigo.
Isto escrito por quem tem um Blog próprio pode não fazer muito sentido mas tem uma razão.
Criei um blog a pedido dos amigos. Não tenho pretensões de chegar a muita gente, mas gosto de dar a conhecer o que se passa comigo às pessoas que me conhecem e que procuram saber como estou. Por isso criei o meu blog.
É um espaço muito próprio onde escrevo sobre a minha vida em Trinidad, as minhas experiências... enfim, tudo o que me apetece partilhar.
Fui convidado para participar no Portugal no Mundo, e arrisquei a oportunidade. Não me arrependo, mas julgo que este espaço não é para mim...
Desculpem.
Gosto da ideia da troca de experiências. Mas a verdade é que tudo o que me apetece dizer acaba por fazer mais sentido no meu blog.
Não me sinto emigrante. Bem sei que na prática o sou, que estou fora de Portugal, etc... Contudo passa por mim uma sensação diferente e que não tem nada a ver com o meu conceito de emigrante. Saí de Portugal para arriscar uma nova experiência de vida, e não uma nova vida. Saí com a certeza que regresso, e que o farei brevemente (1, 2 anos) e mantenho esse desejo. Saí, não para ter uma vida melhor no estrangeiro, mas por achar que era importante também experimentar outra cultura, outra vivência. Talvez por isto tudo, ou por motivos que não escrevo, sinto-me português longe de casa, mas não emigrante (ok, se calhar é este o conceito de emigrante...).
Como escrevi, gosto da ideia do debate, mas confesso que não sei se esta é a melhor solução. Vejo muita gente a querer participar e a comentar constantemente um blog que é escrito apenas por alguns. Talvez fosse interessante considerar-se a ideia de um forum, bastante mais "democrático" e aberto à discussão por todos. Deixo esta ideia à vossa consideração....
Apetece-me escrever, mas não é aqui... é no meu espaço.
Desculpem-me de novo. Gostei da ideia, mas para já, acho que fico de fora...
Boa sorte a todos. Prometo comentar e lançar ideias sempre que achar necessário.
Pedro
O "efeito" internet, e sobretudo o conceito de Blog nunca encaixaram muito comigo.
Isto escrito por quem tem um Blog próprio pode não fazer muito sentido mas tem uma razão.
Criei um blog a pedido dos amigos. Não tenho pretensões de chegar a muita gente, mas gosto de dar a conhecer o que se passa comigo às pessoas que me conhecem e que procuram saber como estou. Por isso criei o meu blog.
É um espaço muito próprio onde escrevo sobre a minha vida em Trinidad, as minhas experiências... enfim, tudo o que me apetece partilhar.
Fui convidado para participar no Portugal no Mundo, e arrisquei a oportunidade. Não me arrependo, mas julgo que este espaço não é para mim...
Desculpem.
Gosto da ideia da troca de experiências. Mas a verdade é que tudo o que me apetece dizer acaba por fazer mais sentido no meu blog.
Não me sinto emigrante. Bem sei que na prática o sou, que estou fora de Portugal, etc... Contudo passa por mim uma sensação diferente e que não tem nada a ver com o meu conceito de emigrante. Saí de Portugal para arriscar uma nova experiência de vida, e não uma nova vida. Saí com a certeza que regresso, e que o farei brevemente (1, 2 anos) e mantenho esse desejo. Saí, não para ter uma vida melhor no estrangeiro, mas por achar que era importante também experimentar outra cultura, outra vivência. Talvez por isto tudo, ou por motivos que não escrevo, sinto-me português longe de casa, mas não emigrante (ok, se calhar é este o conceito de emigrante...).
Como escrevi, gosto da ideia do debate, mas confesso que não sei se esta é a melhor solução. Vejo muita gente a querer participar e a comentar constantemente um blog que é escrito apenas por alguns. Talvez fosse interessante considerar-se a ideia de um forum, bastante mais "democrático" e aberto à discussão por todos. Deixo esta ideia à vossa consideração....
Apetece-me escrever, mas não é aqui... é no meu espaço.
Desculpem-me de novo. Gostei da ideia, mas para já, acho que fico de fora...
Boa sorte a todos. Prometo comentar e lançar ideias sempre que achar necessário.
Pedro
Saturday, September 03, 2005
Lamechices & mentalidade financeira portuguesa
Ainda agora vim de Portugal e já estou com saudades das conversas das minhas vizinhas. Engraçado como antes detestava estas cochichices... Agora dava bastante para saber quem é que comprou um cão novo, quem é que está grávida, quem é que se divorciou e ai, o que o meu Manel me fez. Em Londres vivo num prédio enorme, num bairro cheio de gente. Os vizinhos não dizem nem bom dia, nem boa tarde. A companhia compõe-se de cheiros asiáticos dos vizinhos de cima e do rádio em altos berros de um qualquer puto no prédio ao lado.
Esta é a verdade. Já estou com imensas saudades. O que vale é que isto passa.
Hoje, a caminho de uma livraria para comprar o meu Language Intervention Strategies in Aphasia and Related Neurogenic Communication disorders - o qual aconselho vivamente a quem tiver problemas de sono, comecei a matutar no estado da economia inglesa. Ora bem, isto em contas bastante simples, um inglês pode pagar £139 por umas férias na Turquia, como se pode ver aqui:

Fantastic offer for 7 or 14 nights in buzzing 3* Marmaris, Turkey
• Departs from Gatwick Airport
• Arrives at Dalaman
• Departs September 2005
• Guaranteed availability
From £139.00 per person
Mas se a pessoa até nem gostar de viajar, ou não gostar dos turcos, ou não gostar de kebabs, sei lá, porque não comprar umas roupitas pelo mesmo preço? Ora vamos lá ver, eu posso comprar
£ 50.00
£ 65.00
£ 40.00
Upss, esperam lá! Ir para a Turquia é mais barato!
I rest my case
P.s. Eu até pensava que já estava assim um pouco, como hei-de dizer, com menos mentalidade portuguesa em relação ao dinheiro, mas não. Três tops custam mais do que uma viagem à Turquia. Atenção, estes tops não são Calvin Klein nem coisa parecida. São mais ou menos a nossa versão da Lanidor.
Isto sou eu ou há mais alguém a quem os preços, nos países onde estão, ainda surpreendam (para pior ou melhor...)?
Esta é a verdade. Já estou com imensas saudades. O que vale é que isto passa.
Hoje, a caminho de uma livraria para comprar o meu Language Intervention Strategies in Aphasia and Related Neurogenic Communication disorders - o qual aconselho vivamente a quem tiver problemas de sono, comecei a matutar no estado da economia inglesa. Ora bem, isto em contas bastante simples, um inglês pode pagar £139 por umas férias na Turquia, como se pode ver aqui:

Fantastic offer for 7 or 14 nights in buzzing 3* Marmaris, Turkey
• Departs from Gatwick Airport
• Arrives at Dalaman
• Departs September 2005
• Guaranteed availability
From £139.00 per person
Mas se a pessoa até nem gostar de viajar, ou não gostar dos turcos, ou não gostar de kebabs, sei lá, porque não comprar umas roupitas pelo mesmo preço? Ora vamos lá ver, eu posso comprar
£ 50.00
£ 65.00
£ 40.00Upss, esperam lá! Ir para a Turquia é mais barato!
I rest my case
P.s. Eu até pensava que já estava assim um pouco, como hei-de dizer, com menos mentalidade portuguesa em relação ao dinheiro, mas não. Três tops custam mais do que uma viagem à Turquia. Atenção, estes tops não são Calvin Klein nem coisa parecida. São mais ou menos a nossa versão da Lanidor.
Isto sou eu ou há mais alguém a quem os preços, nos países onde estão, ainda surpreendam (para pior ou melhor...)?
Como somos vistos nas Caraíbas
bem... os portugueses em trinidad...
Tirando eu, só conheço mais um (isto é, vi-o uma vez) de camisa com os três botões de cima por abotoar, palmada nas costas a dizer: "então pá! tu és daonde!.." e carro vermelho com a bandeira do benfica (vá lá alguma coisa boa) no retrovisor...
Portanto é-me difícil responder à pergunta que a Lua deixa.
De qualquer modo, e falando de integrações. Estou num país estranho (ok, julgo que esta deve ser a sensação geral de quem sai...). Não só porque Trinidad não é o meu país, mas também porque é ao mesmo tempo uma mistura de países, culturas e uma quase ausência de identidade própria. Ou talvez a "indentidade" aqui seja esta mesma...
Não há, em trinidad, uma maioria que se possa identificar como definidora de uma única cultura.
Há uma população negra muito elevada (talvez 30% a 40%) e uma população indiana equivalente em número, que aliás se reflectem nos dois grandes partidos políticos.
Estes dois grupos fazem a grande maioria da população, mas se se toleram pacificamente, a verdade é que simplesmente não se misturam...
Depois há um grupo grande de gente vinda de todo o mundo... Venezuela, Brazil, Alemanha, Bélgica, Holanda, Espanha, Estados Unidos, Canadá, inglaterra, China, outras ilhas das Caraíbas, etc... é mesmo um grupo muito grande, impossível de passar despercebido.
Junte-se à "confusão" a influência tremenda de uma certa cultura americana (Hip-Hop, tunning, Dread look) e consegue-se ter uma dimensão do problema. Comecei por dizer que há quase uma ausência de identidade cultural, mas talvez seja precisamente o oposto... Goste-se ou não, Trinidad é mesmo esta mistura, de raças, religiões, culturas, experiências... A fast food existe em larga escala, mas não destrona os restaurantes de "street food" locais. Rotis, doubles, fazem par com o KFC e o Burger King. Soca e Calypso ouvem-se o dia todo em volumes que fazem tremer o próprio chão e vidros das casas (sem exagero... por incrível que pareça).
Talvez também por isto tudo seja muito fácil assumir a cultura própria de cada um, sem quaisquer complexos.
Portugal está ao mesmo tempo presente e ausente em cada esquina. São às centenas os nomes e referências portugueses. Fernandes, Correia, Santos... Existem nas marcas de Rum, no nome do estádio de Criquete, nos apelidos das pessoas, nas memórias dos avós....
Ausente também, porque de Portugal, mais concretamente da Madeira, só resta mesmo isso, uma memória de um nome passado ao longo das gerações.
São poucos os que sabem onde fica, embora referências como Figo ou Cristiano Ronaldo pareçam ser mesmo incontornáveis onde quer que nos encontremos no mundo.
Para todos sou o "portuguee", mas também há os "belgium", "espagnol", etc... Cada qual com a sua...
Somos todos estrangeiros e talvez pelo gozo, talvez pelo confronto saudável, cada um defende acérrimamente o seu país. O Inglês é naturalmente a língua predominante, mas dá-me um gozo imenso ter a possibilidade de poder usar outras línguas que poucos percebem... O português, o "Espanholês" sem preconceitos.
É frequente falar Português com gente da Venezuela e Espanha (e eles respondem em Castelhano). Qualquer palavra mais difícil encontra sempre eco num outro termo, expressão, ou mesmo o equivalente em Inglês. Falo também português com os meus colegas belgas (eles percebem-no), mas não me peçam para compreender o que eles dizem quando se exprimem em Flamengo... Sei "ya", "nei", "papier" e pouco mais (nem sequer sei se é assim que se escreve... :)
Discutimos muito entre nós estas situações. Sobretudo com uma amiga venezuelana que está sempre a tentar perceber a relação entre Portugueses e Espanhóis e (uma coisa em que poucas vezes nós europeus pensamos) qual a visão que eu tenho da colonização da América do Sul... E nem queiram saber a ideia que fazem dos "bárbaros" europeus do século XVI... Como a História é aprendida de modos diferentes (e todos eles verdadeiros)
Há uma grande curiosidade por parte da população em tentar perceber porque vimos para aqui. As caraíbas estão longe de ser o paraíso publicitado pelas agências de viagens e filmes de Hollywood, e quem cá vive tem muita dificuldade em perceber as nossas escolhas - embora me digam sempre que tenho que arranjar uma mulher Trini, e que depois disso acontecer nunca mais regresso a Portugal :)
Rematando, este é um país com lugar para todas as culturas... Procuro naturalmente compreender o país, integrar-me, mas percebi que esta minha integração é mais uma aceitação de novos hábitos e maneiras de estar do que propriamente uma mudança de comportamentos. Procuro participar nas actividades próprias do país, e claro, não recuso uma boa "lime", mas no fim sou português, serei sempre. Mesmo aos olhos de um Trini, um estrangeiro, por mais tempo que aqui permaneça, será sempre estrangeiro (mesmo não havendo uma discriminação negativa).
Na minha relação com outras pessoas (leia-se outros estrangeiros) verifico também que a situação é idêntica. Mais do que uma "submissão" a uma cultura geral maior, há uma troca de experiências únicas (mesmo quando, por uma questão de facilidade, o inglês é "quase" a única língua possível).
Não me choca muito a ignorância em relação a Portugal... Quantos de nós já ouvimos falar de Trinidad e Tobago?
Sei que venho de um país pequeno e naturalmente pouco conhecido a nível mundial... é mesmo assim, por mais eventos internacionais que possamos ter.
Gosto do meu país e isso é-me suficiente. Apenas tenho que aceitar que pouca gente o conheça, tal como nós pouco sabemos de tantos lugares...
Um exemplo, temos o Saramago. Temos um prémio Nobel, e claro, custa-nos ouvir alguém dizer que não o conhece...
Quem ouviu falar de V. S. Naipaul?
(prémio nobel da literatura - Trinidad e Tobago - 2001)
Tirando eu, só conheço mais um (isto é, vi-o uma vez) de camisa com os três botões de cima por abotoar, palmada nas costas a dizer: "então pá! tu és daonde!.." e carro vermelho com a bandeira do benfica (vá lá alguma coisa boa) no retrovisor...
Portanto é-me difícil responder à pergunta que a Lua deixa.
De qualquer modo, e falando de integrações. Estou num país estranho (ok, julgo que esta deve ser a sensação geral de quem sai...). Não só porque Trinidad não é o meu país, mas também porque é ao mesmo tempo uma mistura de países, culturas e uma quase ausência de identidade própria. Ou talvez a "indentidade" aqui seja esta mesma...
Não há, em trinidad, uma maioria que se possa identificar como definidora de uma única cultura.
Há uma população negra muito elevada (talvez 30% a 40%) e uma população indiana equivalente em número, que aliás se reflectem nos dois grandes partidos políticos.
Estes dois grupos fazem a grande maioria da população, mas se se toleram pacificamente, a verdade é que simplesmente não se misturam...
Depois há um grupo grande de gente vinda de todo o mundo... Venezuela, Brazil, Alemanha, Bélgica, Holanda, Espanha, Estados Unidos, Canadá, inglaterra, China, outras ilhas das Caraíbas, etc... é mesmo um grupo muito grande, impossível de passar despercebido.
Junte-se à "confusão" a influência tremenda de uma certa cultura americana (Hip-Hop, tunning, Dread look) e consegue-se ter uma dimensão do problema. Comecei por dizer que há quase uma ausência de identidade cultural, mas talvez seja precisamente o oposto... Goste-se ou não, Trinidad é mesmo esta mistura, de raças, religiões, culturas, experiências... A fast food existe em larga escala, mas não destrona os restaurantes de "street food" locais. Rotis, doubles, fazem par com o KFC e o Burger King. Soca e Calypso ouvem-se o dia todo em volumes que fazem tremer o próprio chão e vidros das casas (sem exagero... por incrível que pareça).
Talvez também por isto tudo seja muito fácil assumir a cultura própria de cada um, sem quaisquer complexos.
Portugal está ao mesmo tempo presente e ausente em cada esquina. São às centenas os nomes e referências portugueses. Fernandes, Correia, Santos... Existem nas marcas de Rum, no nome do estádio de Criquete, nos apelidos das pessoas, nas memórias dos avós....
Ausente também, porque de Portugal, mais concretamente da Madeira, só resta mesmo isso, uma memória de um nome passado ao longo das gerações.
São poucos os que sabem onde fica, embora referências como Figo ou Cristiano Ronaldo pareçam ser mesmo incontornáveis onde quer que nos encontremos no mundo.
Para todos sou o "portuguee", mas também há os "belgium", "espagnol", etc... Cada qual com a sua...
Somos todos estrangeiros e talvez pelo gozo, talvez pelo confronto saudável, cada um defende acérrimamente o seu país. O Inglês é naturalmente a língua predominante, mas dá-me um gozo imenso ter a possibilidade de poder usar outras línguas que poucos percebem... O português, o "Espanholês" sem preconceitos.
É frequente falar Português com gente da Venezuela e Espanha (e eles respondem em Castelhano). Qualquer palavra mais difícil encontra sempre eco num outro termo, expressão, ou mesmo o equivalente em Inglês. Falo também português com os meus colegas belgas (eles percebem-no), mas não me peçam para compreender o que eles dizem quando se exprimem em Flamengo... Sei "ya", "nei", "papier" e pouco mais (nem sequer sei se é assim que se escreve... :)
Discutimos muito entre nós estas situações. Sobretudo com uma amiga venezuelana que está sempre a tentar perceber a relação entre Portugueses e Espanhóis e (uma coisa em que poucas vezes nós europeus pensamos) qual a visão que eu tenho da colonização da América do Sul... E nem queiram saber a ideia que fazem dos "bárbaros" europeus do século XVI... Como a História é aprendida de modos diferentes (e todos eles verdadeiros)
Há uma grande curiosidade por parte da população em tentar perceber porque vimos para aqui. As caraíbas estão longe de ser o paraíso publicitado pelas agências de viagens e filmes de Hollywood, e quem cá vive tem muita dificuldade em perceber as nossas escolhas - embora me digam sempre que tenho que arranjar uma mulher Trini, e que depois disso acontecer nunca mais regresso a Portugal :)
Rematando, este é um país com lugar para todas as culturas... Procuro naturalmente compreender o país, integrar-me, mas percebi que esta minha integração é mais uma aceitação de novos hábitos e maneiras de estar do que propriamente uma mudança de comportamentos. Procuro participar nas actividades próprias do país, e claro, não recuso uma boa "lime", mas no fim sou português, serei sempre. Mesmo aos olhos de um Trini, um estrangeiro, por mais tempo que aqui permaneça, será sempre estrangeiro (mesmo não havendo uma discriminação negativa).
Na minha relação com outras pessoas (leia-se outros estrangeiros) verifico também que a situação é idêntica. Mais do que uma "submissão" a uma cultura geral maior, há uma troca de experiências únicas (mesmo quando, por uma questão de facilidade, o inglês é "quase" a única língua possível).
Não me choca muito a ignorância em relação a Portugal... Quantos de nós já ouvimos falar de Trinidad e Tobago?
Sei que venho de um país pequeno e naturalmente pouco conhecido a nível mundial... é mesmo assim, por mais eventos internacionais que possamos ter.
Gosto do meu país e isso é-me suficiente. Apenas tenho que aceitar que pouca gente o conheça, tal como nós pouco sabemos de tantos lugares...
Um exemplo, temos o Saramago. Temos um prémio Nobel, e claro, custa-nos ouvir alguém dizer que não o conhece...
Quem ouviu falar de V. S. Naipaul?
(prémio nobel da literatura - Trinidad e Tobago - 2001)
Thursday, September 01, 2005
Oh, já se acabaram as férias e caracinhas para as comparações com o Espanhol - Atenção! Linguagem picante devido a sangue quente!
Peço desculpa pela ausência mas o sol levou o melhor de mim. Isto de estar mais de um mês sem escrever até fez bem à alma...ie. acho que o estar sem escrever equivale à noção de não ter de estar perto de um computador. Ai o sol. Ai a praia e Ai a salada de polvo e o arroz de marisco.
Sabem uma coisa que me dá volta ao miolo, que me põe furibunda, absolutamente desnorteada e exasperada, com fome de sangue rompido à dentada?
- Que me perguntem de onde sou e que imediatamente me digam - "Então falas espanhol!".
Não merda escarrapada de pintelho ignorante! Não falo nada da porra de espanhol. Ou melhor, até falo mas porque aprendi, besta ao quadrado arredondado peganhento e cuspido a dor de hemorróidas! E não me digam que exagero com este comportamento, seus traidores à nação, lambedores de cú espanhol que são os - "ai, que tomara que os Portugueses fossem mais como os Espanhóis, que eles sim é que se sabem divertir e comer bem, e eles é que ganham bem e sabem fazer as coisas. Olhem lá meus labregos, eles também são melhor na cama do que vocês, então?! Gostam, gostam, hã hã?
E nem tenham a coragem de dizer que tenho algo contra os Espanhóis, seus imbecis de rabo atado que mais valia era terem tido os familiares que sobreviveram à Batalha de Aljubarrota todos mortos empalados para que o gene da estupidez não tivesse conseguido trepar a expectação de vida até uns bons anitos muito prezados hoje em dia.
Isto não é nada contra os Espanhóis! Eu não tenho é nada contra os Portugueses e sou até, pasme-se, nacionalista!
E mais do que tudo, não me venham com a ignorante e menosprezante ideia de que os Portugueses têm de e devem tentar falar espanhol quando vêem um exemplar da terra vizinha em qualquer lado que não Espanha. Mas qual é a porra do argumento, hã?! Alguém que me explique por favor. Porque é que eu, Portuguesa, tenho de me meter em trabalhos e suores, sofrida de risadas e pior! pior minha gente! de agradecimentos ausentes por parte dos ouvintes que, segundo até parecem, reais? Será que ficou alguma cláusula implícita no tratado de Aljubarrota (ou tantas outras, do i care?) que nos diz e obriga a falar Portunhol ou Espanhol sem saber ou a saber? Uma das maiores tristezas que tenho é ver, um pouco por todo o mundo, um Português a ter de falar em espanhol com um Espanhol, de imediato, isto é, nos primeiros segundos em que se conhecem. E ainda o que me entristece mais não é saber que a maioria dos Espanhóis nada mais nada menos espera de nós! O que me entristece mais é saber que os Portugueses nada menos esperam deles mesmos. Mas porquê? De onde é que vem tamanha desinformação? Tamanha sensação de inferioridade? Tamanho sentimento de obrigação?
Eu grito isto a todos os ventos, bons e maus. Um Português e um Espanhol podem e devem comunicar cada um na sua língua, pela simples razão de que não há absolutamente razão nenhuma para fazer o contrário. Uma coisa é uma pessoa saber falar uma das línguas e querer praticar. Outra coisa é uma pessoa pensar que tem de...
Agora, voltando ao assunto de me dizerem - " Então falas Espanhol!". Irrita, como deve irritar a tantos outros países que fazem fronteira com uma língua que é mais ou menos parecida ou que teve um papel importante na história desse país. Sinto por todos os Polacos que ouvem - "Então falas russo!", por todos os holandeses que ouvem - "Então falas alemão!" e por aí fora.
Ignorância. Abençoada à catana.
E nem sequer me tentem contradizer. humpf.
Mas agora a sério. Como é que os Portugueses se comportam nos países onde vocês estão? Como é que assumem a cultura, a língua, o país, enfim?
Sabem uma coisa que me dá volta ao miolo, que me põe furibunda, absolutamente desnorteada e exasperada, com fome de sangue rompido à dentada?
- Que me perguntem de onde sou e que imediatamente me digam - "Então falas espanhol!".
Não merda escarrapada de pintelho ignorante! Não falo nada da porra de espanhol. Ou melhor, até falo mas porque aprendi, besta ao quadrado arredondado peganhento e cuspido a dor de hemorróidas! E não me digam que exagero com este comportamento, seus traidores à nação, lambedores de cú espanhol que são os - "ai, que tomara que os Portugueses fossem mais como os Espanhóis, que eles sim é que se sabem divertir e comer bem, e eles é que ganham bem e sabem fazer as coisas. Olhem lá meus labregos, eles também são melhor na cama do que vocês, então?! Gostam, gostam, hã hã?
E nem tenham a coragem de dizer que tenho algo contra os Espanhóis, seus imbecis de rabo atado que mais valia era terem tido os familiares que sobreviveram à Batalha de Aljubarrota todos mortos empalados para que o gene da estupidez não tivesse conseguido trepar a expectação de vida até uns bons anitos muito prezados hoje em dia.
Isto não é nada contra os Espanhóis! Eu não tenho é nada contra os Portugueses e sou até, pasme-se, nacionalista!
E mais do que tudo, não me venham com a ignorante e menosprezante ideia de que os Portugueses têm de e devem tentar falar espanhol quando vêem um exemplar da terra vizinha em qualquer lado que não Espanha. Mas qual é a porra do argumento, hã?! Alguém que me explique por favor. Porque é que eu, Portuguesa, tenho de me meter em trabalhos e suores, sofrida de risadas e pior! pior minha gente! de agradecimentos ausentes por parte dos ouvintes que, segundo até parecem, reais? Será que ficou alguma cláusula implícita no tratado de Aljubarrota (ou tantas outras, do i care?) que nos diz e obriga a falar Portunhol ou Espanhol sem saber ou a saber? Uma das maiores tristezas que tenho é ver, um pouco por todo o mundo, um Português a ter de falar em espanhol com um Espanhol, de imediato, isto é, nos primeiros segundos em que se conhecem. E ainda o que me entristece mais não é saber que a maioria dos Espanhóis nada mais nada menos espera de nós! O que me entristece mais é saber que os Portugueses nada menos esperam deles mesmos. Mas porquê? De onde é que vem tamanha desinformação? Tamanha sensação de inferioridade? Tamanho sentimento de obrigação?
Eu grito isto a todos os ventos, bons e maus. Um Português e um Espanhol podem e devem comunicar cada um na sua língua, pela simples razão de que não há absolutamente razão nenhuma para fazer o contrário. Uma coisa é uma pessoa saber falar uma das línguas e querer praticar. Outra coisa é uma pessoa pensar que tem de...
Agora, voltando ao assunto de me dizerem - " Então falas Espanhol!". Irrita, como deve irritar a tantos outros países que fazem fronteira com uma língua que é mais ou menos parecida ou que teve um papel importante na história desse país. Sinto por todos os Polacos que ouvem - "Então falas russo!", por todos os holandeses que ouvem - "Então falas alemão!" e por aí fora.
Ignorância. Abençoada à catana.
E nem sequer me tentem contradizer. humpf.
Mas agora a sério. Como é que os Portugueses se comportam nos países onde vocês estão? Como é que assumem a cultura, a língua, o país, enfim?
Comparação
A propósito do post do Gonçalo ali em baixo, lembrei-me de um termo de comparação do meu país com o país onde vivo, a Alemanha.
Na Alemanha, o aborto a pedido até às 12 semanas de gravidez é permitido. Não é crime, nem para a grávida, nem para o médico que o realiza, e é feito nas condições clínicas adequadas. Não sei se usam a famosa pílula abortiva RU 486, mas em relação ao estudo de que o Gonçalo fala, lembro que para cada estudo, existe um contra-estudo, e que, principalmente num local como os EUA, há estudos que têm interesses por trás e cujas conclusões são fortemente influenciadas por esses tais interesses.
É ainda interessante verificar que, num país onde o aborto é permitido, e onde as mulheres não são perseguidas por abortarem, a taxa de mortalidade maternal é inferior em quase 20% à de outros países desenvolvidos. E a esperança de vida à nascença para as mulheres seja superior a 80 anos (mais informações aqui).
Na Alemanha, o aborto a pedido até às 12 semanas de gravidez é permitido. Não é crime, nem para a grávida, nem para o médico que o realiza, e é feito nas condições clínicas adequadas. Não sei se usam a famosa pílula abortiva RU 486, mas em relação ao estudo de que o Gonçalo fala, lembro que para cada estudo, existe um contra-estudo, e que, principalmente num local como os EUA, há estudos que têm interesses por trás e cujas conclusões são fortemente influenciadas por esses tais interesses.
É ainda interessante verificar que, num país onde o aborto é permitido, e onde as mulheres não são perseguidas por abortarem, a taxa de mortalidade maternal é inferior em quase 20% à de outros países desenvolvidos. E a esperança de vida à nascença para as mulheres seja superior a 80 anos (mais informações aqui).
Subscribe to:
Posts (Atom)